Contra a Corrente (após Utagawa Kuniyoshi)
2024
Óleo sobre tela
150x100 cm
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Em Contra a corrente, Felipe Scandelari revisita com irreverência e vigor pictórico o universo das gravuras de Utagawa Kuniyoshi, mestre do ukiyo-e do século XIX. Conhecido por suas composições dinâmicas e heróis de força descomunal, Kuniyoshi inspirou esta releitura contemporânea que funde tradição visual japonesa e corpo presente da cultura urbana.
Na obra de Scandelari, o protagonista é um homem corpulento, tatuado, de expressão firme, que caminha contra a força das águas — uma referência direta aos bravos guerreiros do imaginário japonês que enfrentavam dragões, monstros ou ondas gigantes. As carpas, símbolo de perseverança e transformação espiritual no Oriente, dançam ao seu redor em meio a ondas dramáticas que parecem quase audíveis.
As tatuagens que recobrem o corpo do personagem ampliam o diálogo com a estética japonesa, ao mesmo tempo em que o inserem no presente: há dragões, gueixas e elementos do folclore oriental reconfigurados com uma linguagem pop e autobiográfica. A saia florida e transparente, quase um pijama ou traje de descanso, desarma qualquer leitura heroica convencional, dando espaço para o afeto, o humor e a vulnerabilidade.
Ao unir força e suavidade, ironia e reverência, Scandelari transforma a iconografia tradicional em uma metáfora contemporânea: o indivíduo que, marcado por suas histórias e imagens, enfrenta a corrente do mundo com leveza e coragem. Uma ode ao deslocamento, à resistência e à beleza de nadar contra o fluxo.