O Triunfo de Galatéia (após Rafael Sanzio)
2025
Óleo sobre linho
212x265 cm
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Nesta obra de grandes dimensões, Felipe Scandelari reinterpreta a célebre pintura de Rafael Sanzio, oferecendo uma visão contemporânea e provocadora do mito de Galatéia. A apoteose da ninfa do mar, originalmente capturada por Rafael, é transformada em uma composição dominada por figuras femininas, substituindo as tradicionais representações masculinas, como os tritões, por versões reinventadas de ninfas poderosas.
Galatéia, a mais amada das 50 Nereidas, é descrita na mitologia grega como a “gloriosa” e “bela”. Ela vive uma história de amor trágica com o pastor Ácis, que, após ser flagrado pelo gigante Polifemo, é brutalmente assassinado. Em luto, Galatéia transforma o sangue do amado em um riacho cristalino, criando o rio Ácis na Sicília e imortalizando sua memória.
Ao invés de focar na tragédia da perda, Scandelari, à semelhança de Rafael, escolhe retratar o momento da exaltação de Galatéia — sua ascensão gloriosa no seio das criaturas do mar. Contudo, sua leitura adiciona camadas de ironia. Os anjos e ninfas da composição ostentam colares dourados e fumam cigarros, inserindo referências à cultura digital e aos memes da internet. Esses elementos subvertem a solenidade da cena, introduzindo um tom de leveza e comentário social, e tensionando as fronteiras entre o erudito e o popular.
A obra ressalta a força e a autonomia da figura feminina, reafirmando sua presença ativa e impactante como agente de transformação e criadora de narrativas. O Triunfo de Galatéia, na visão de Scandelari, transcende a mera celebração da beleza mitológica: é uma declaração de liberdade, irreverência e poder de escolha diante dos desafios que enfrentamos ao longo da vida.