Poesias ao Vento (após Utagawa Kunyioshi)
2025
Óleo sobre tela
150x100 cm
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Em Poesias ao vento, Felipe Scandelari apresenta uma releitura contemporânea de uma gravura japonesa do século XIX, transformando um fragmento da tradição oriental em uma cena marcada por lirismo, movimento e delicada ironia.
A figura feminina, capturada em pleno gesto de se proteger contra o vento, parece flutuar entre o real e o onírico. Vestida com um leve vestido estampado, ela se encontra sob a copa de uma cerejeira em flor — ícone da cultura japonesa que simboliza a beleza efêmera da vida. As pétalas flutuam ao seu redor como pensamentos ou versos soltos, enquanto folhas de papel — ou seriam fragmentos de poemas? — voam pelo céu azul, evocando a poesia que escapa ao controle, como o próprio tempo.
Scandelari apropria-se da estética tradicional das gravuras japonesas para construir uma imagem contemporânea, onde a suavidade das cores pastéis contrasta com o dinamismo da pose e o humor sutil da situação. Há um encantamento no inesperado, no gesto contido entre o riso e a surpresa, no cenário que parece prestes a se dissolver em sonho.
Com essa obra, o artista costura passado e presente, tradição e invenção, oferecendo ao público uma cena em que a beleza se expressa no instante fugidio — como versos lançados ao vento, que dançam brevemente antes de desaparecer.